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Os Três Pilares do Bem-Estar 

Por: Joaquim Reis   28.12.2020

1. Introdução

Os Três Pilares do Bem-Estar são uma forma natural prática de estabelecer condições para uma vida equilibrada e saudável. Trata-se de uma abordagem centrada em transformações, ajustamentos e optimizações em três dimensões do indivíduo:

- A alimentação; 
- A actividade; 
- A espiritualidade. 

De uma perspectiva individual, nesta abordagem, estas três dimensões consideram-se as necessárias e suficientes para a finalidade em questão, a de uma vida equilibrada e saudável.

2. Três Dimensões


Todo o ser humano tem de se alimentar e de se mover e tem aspectos não físicos (consciência, pensamentos, intuição, emoções, desejos, intenções, etc.) de que se dá conta, quer lhes dê ou não atenção. Daí que, para manter-se saudável, estar bem e uma boa gestão da energia individual o triângulo composto por estas três dimensões, a alimentação, a actividade e a espiritualidade, é o núcleo minimal adequado e completo de variáveis a considerar e a utilizar.

Designamos este núcleo por Os Três Pilares do Bem-Estar, ver Figura 1. 

Figura 1- Os três pilares.

Figura 1- Os três pilares


No triângulo da Figura 1, a espiritualidade está junto ao vértice do topo e a alimentação e a actividade estão junto dos vértices da base. Porque ao topo, no cimo, se associa o que é não físico e à base, em baixo, se associa o que é mais físico, como se mostra na Figura 2.

Figura 2- O que é físico e o que não é físico nos três pilares.


Existe uma interdependência entre as três dimensões. A quantidade e qualidade da alimentação têm influência, não apenas na saúde, mas também, no equilíbrio resultante entre a qualidade e a quantidade dos restantes componentes, a actividade e a espiritualidade. Quantidades e qualidades diferentes de actividade, por outro lado, têm influência nas necessidades, em quantidade e qualidade, na alimentação e na espiritualidade possível. E graus diferentes de espiritualidade, em quantidade e qualidade, estão associados a quantidades e qualidades diferentes da alimentação e da actividade.
E estas três dimensões não são estanques. Por exemplo, existe uma gradação, um continuum de várias formas de actividade, desde o tipo de actividade mais física, mais pesada, de movimento contra a gravidade, até à actividade menos física. Este continuum existe também no lado da alimentação, desde a mais física até à menos física e mais incorpórea. Na Figura 3 representa-se isto com alguns exemplos para ambos os casos.

Figura 3- Vários níveis de actividade e de alimentação nos três pilares.



A inspiração para o desenvolvimento desta abordagem surgiu ao longo de anos de pesquisa, prática e verificação com origem em três focos (Reis, 2019):

- A filosofia e práticas da Macrobiótica, em especial na alimentação;
- A prática desportiva e o treino c/cargas progressivo; 
- O Raja Yoga e a meditação.

3. Gravidade, Forças e Formas

Na essência das transformações, ajustamentos e optimizações nas três dimensões estão envolvidas uma compreensão e uma utilização do fenómeno mais fundamental, gerador e construtivo no mundo material: a gravidade. A gravidade é um fenómeno dos mais influentes e ubíquos no mundo material. Condiciona tudo o que de material existe, mesmo o espaço e o tempo.


Figura 4- Gravidade e formas.

A gravidade origina forças e formas muito especiais na natureza e no universo. Exemplos observáveis deste facto são a forma em espiral e certas proporções visíveis em estruturas vivas ou inanimadas, ver Figura 4. À superfície do planeta, a gravidade origina forças contractivas, ou yang, e expansivas, ou yin, que condicionam e impõem uma determinada estrutura aos seres vivos, plantas e animais, ver Figura 5.


Figura 5- Yang, a força contractiva, para baixo, e Yin, a força expansiva, para cima.

4. Os Três Pilares

O conhecimento e utilização destes fenómenos tem aplicação na vida de cada ser humano, em transformações, ajustamentos e optimizações na alimentação, na actividade e na espiritualidade. O que, em Os Três Pilares do Bem-Estar, na prática se pode resumir a como interligar e aplicar a situações práticas, e com objectivos específicos, diferentes opções de:

- Alimentação – com uma alimentação que seja natural, saudável, simples e prática;
- Actividade - com exercício físico intenso progressivo, programado, usando a gravidade;
- Espiritualidade - numa abordagem prática simples e não religiosa, de modo a poder reunir condições para:
- atingir e manter um estado de boa saúde física;
- desencadear um processo de anti envelhecimento;
- garantir uma probabilidade alta de atingir e manter, de forma sustentável, estados de bem-estar.

É claro que o descrito se pode resumir de forma difusa a estar bem e ser feliz. Mas a ideia é consegui-lo de forma natural e sustentável, não apenas efémera ou ocasionalmente por obra do acaso ou por um qualquer processo no momento como se sugere em (Reynolds, 1996), por exemplo. A seguir mostra-se algum detalhe adicional sobre a alimentação, a actividade e a espiritualidade na abordagem de Os Três Pilares do Bem-Estar.

5. Alimentação

O primeiro pilar é a alimentação. Propõe-se uma alimentação natural, saudável, simples e prática, inspirada na prática da Macrobiótica (Kushi, Kushi, & Jack, 2004), (Kushi & Jack, 2003). Portanto, a alimentação deve ter, de um modo geral, preferencialmente caracterizada pelo seguinte:

- alimentos na forma integral;
- alimentos ricos em fibra natural;
- alimentos naturais biológicos, processamento de alimentos mais tradicional;
- hidratos de carbono complexos;
- proteína de qualidade vegetal;
- menos gordura;
- equilíbrio das várias vitaminas, vários minerais e outros nutrientes naturais;
- ajustamentos de acordo com o clima, estações, constituição, condição e actividade da pessoa.

Os ajustamentos referidos são importantes. Como exemplos de propostas de ajustamento podem ter-se uma alimentação para um modo de vida mais espiritual ou para um modo de vida mais físico e activo. Estes ajustamentos traduzem-se na escolha de quantidades e qualidades dos alimentos, mediante o conhecimento da sua estrutura e energia, que resultam da influência das forças atrás referidas.

A forma de realizar a transformação, ou a transição, para uma alimentação mais natural conforme for prescrita é, também, importante. A transformação poderá ser menos ou mais gradual, dependendo da capacidade maior ou menor adaptação da pessoa.

A optimização passa por um acompanhamento da condição da pessoa à medida que a pessoa muda para e mantém um modo de se alimentar mais natural com eventuais correcções que sejam necessárias para atingir o objectivo desejado.

6. Actividade

O segundo pilar é a actividade. Propõe-se uma actividade física sistemática planeada e com objectivos, i.e., o que se denomina normalmente treino, não apenas exercício físico. Neste tipo de actividade existem exercícios principais e exercícios complementares. Os exercícios principais incluem preferencialmente movimentos naturais e abrangentes para o sistema músculo esquelético com preferência pela intensidade alta e progressiva, tipicamente usando a gravidade através de cargas (Sullivan & Baker, 2016). Os exercícios complementares, funcionam como auxiliares ou acessórios dos principais e são mais orientados para a mobilidade.
Este tipo de actividade utiliza, de forma apropriada, o mecanismo do síndrome de adaptação geral (teoria explicativa da reacção a um estímulo de stress, descoberto por Hans Selye) de modo a levar o organismo a uma resposta de adaptação, incluindo a nível hormonal (Rippetoe & Baker, 2017). A adaptação resultante, é acompanhada por um processo de rejuvenescimento de maior ou menor grau, dependendo da qualidade e quantidade do repouso e da alimentação (Coelho, 2017), (Life, 2011). Podem fazer-se ajustamentos com vista a atingir diferentes objectivos a nível das capacidades físicas.

Os ajustamentos referidos são importantes. Como propostas de ajustamento, pode ter-se, por exemplo, um programa de actividade apenas para manutenção e para uma vida mais contemplativa, ou para obter boa forma física e resistência, ou ainda para ganhar força muscular. Estes ajustamentos traduzem-se na escolha dos tipos dos exercícios e das quantidades associadas aos mesmos, em variáveis como a intensidade, o volume e a frequência, num plano de treino que evolui ao longo do tempo.

A forma de realizar a transformação, ou transição, para um regime de actividade prescrito depende da capacidade maior ou menor adaptação da pessoa ao tipo de actividade. Deverá existir algum grau de progressividade para uma adaptação mais suave no início.

A optimização passa por um acompanhamento da condição física da pessoa à medida que a pessoa muda para e mantém o programa de actividade prescrito e eventuais correcções que sejam necessárias para atingir o objectivo desejado ou variações ao longo do tempo que sejam pretendidas.

7. Espiritualidade

A espiritualidade pode ser entendida como a tendência humana para procurar um significado para a vida através de uma visão que transcende o que é tangível, à procura de um sentido de ligação com algo maior e menos efémero que a vida terrena da própria pessoa. Esta tendência poderá ou não estar ligada a uma vivência religiosa.

Escolhendo uma perspectiva menos mística, e talvez mais ligada à pessoa comum, pode dizer-se que, além de uma parte física, isto é, de um corpo e de percepções e sensações a ele associadas, cada pessoa dá conta de ter também uma parte não física, com pensamentos, emoções, desejos, intenções, consciência, intuição, imaginação, etc. Esta parte não física diz respeito a uma energia interior e a espiritualidade tem também a ver, embora não só, com a gestão interna destes aspectos não físicos.

Por vezes acontece-nos termos vislumbres de que há mais alguma coisa que abrange e transcende tudo isso, físico e não físico. E que extravasa, no espaço e no tempo, os limites, físicos e não físicos, das coisas na vida de que nos damos conta de forma mais ou menos imediata. E afinal porque acontece isso? Porque há aquela tendência, ou se tem aqueles vislumbres? Porque estamos vivos e estamos no centro de um processo de materialização e espiritualização, ver Figura 6.



Figura 6 - Materialização e espiritualização

São o nosso passado e o nosso futuro, respectivamente, e nós temos memória, passada e futura, neste processo. Muito embora a espiritualidade tenha também a ver com a energia interior da pessoa e, eventualmente, com a atenção dada a, e a optimização destes aspectos internos, menos físicos, mais psicológicos, de modo a ter uma vida mais satisfatória, é aquele aspecto de transcendência, de ligação a algo de transcendente, que lhe está, normalmente, mais associado. A exploração deste aspecto não é uma coisa muito comum. No entanto, tem sido um caminho percorrido e estudado por alguns ao longo de milénios no Oriente. Este caminho está, normalmente associado a práticas místicas muito antigas, em geral ligadas a uma religião, embora não forçosamente.

Estas práticas místicas, muitas vezes referidas sob o termo meditação, são uma via interior, que se baseia no conhecimento e na exploração dos fenómenos psicológicos individuais para atingir estados de consciência elevados. São, por assim dizer, práticas individuais e deliberadas do misticismo. Isto porque colocam de parte aspectos sociais e rituais da espiritualidade e focam-se no aspecto interior individual, que é o que está ao alcance directo do controlo do indivíduo, se e podem servir a qualquer humano, mesmo àqueles que não são naturalmente dotados e dados a um misticismo espontâneo.

Na meditação podemos considerar três estágios: relaxamento, concentração e contemplação. O aspecto místico, de ligação ao transcendente, está normalmente associado à contemplação. Os estágios de relaxamento e de concentração têm, no entanto, a sua utilidade não apenas como uma via para chegar à contemplação, mas também na gestão da energia interior do indivíduo, portanto, a um nível mais “terreno”. Conseguir reduzir o stess, descontrair-se e repousar satisfatoriamente, conseguir focar e concentrar a sua atenção em qualquer assunto de forma mais eficiente são possíveis aplicações da prática destes estágios que podem servir para melhorar a qualidade de vida da pessoa.

Na abordagem de Os Três Pilares do Bem-Estar, a espiritualidade, o terceiro pilar, envolve práticas que permitem gerir mais eficientemente a energia interior do indivíduo, aqui e agora. Mas também práticas permitem, se se quiser, ir mais longe, libertar-se da gravidade, da matéria, e ir no sentido do além e do eterno, numa religação ao transcendente. Estas práticas baseiam-se na atenção à percepção acessível através de sentidos interiores de que todos os seres humanos dispõem, e que não são outra coisa senão prolongamentos dos normais sentidos, exteriores.

Conclusão

Os Três Pilares do Bem-Estar são uma abordagem prática individual à saúde, ao bem-estar e à longevidade que se baseia na regulação da energia individual através de um conjunto de três variáveis, ou dimensões: a alimentação, a actividade e a espiritualidade. Estas, são consideradas para tal finalidade como sendo as necessárias e suficientes. Naquela regulação estão envolvidas transformações, ajustamentos e optimizações segundo as três dimensões.
A inspiração para o desenvolvimento desta abordagem surgiu ao longo de anos de pesquisa, prática e verificação centrados na filosofia e práticas da Macrobiótica, em especial na alimentação, na prática desportiva e no treino c/cargas progressivo e no Raja Yoga e na meditação.

Bibliografia

Bloomfield, D. H., Cain, M. P., & Jaffe, D. T. (1975). MT, Meditação Transcendental, A Descoberta da Energia Interior e o Domínio da Tensão. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira S.A.
Cameron, C. (1973). Who is Guru Maharaj Ji? New York: Bantam Books, Inc.
Coelho, M. P. (2017). Chegar Novo a Velho, Hormonas, o Sumo da Vida. Lisboa: Prime Books.
Kushi, M., & Jack, A. (2003). The Macrobiotic Path to Total Health. New York: Ballantine Books.
Kushi, M., Kushi, A., & Jack, A. (2004). The Book of Macrobiotics. Tokyo: Japan Publications, Inc.
Life, J. S. (2011). The Life Plan. New York: Atria Books.
Reis, J. (2019). Os Três Pilares do Bem-Estar. Lisboa.
Reynolds, S. (1996). Become Happy in Eight Minutes. New York: Plume, Penguin Books USA Inc.
Rippetoe, M., & Baker, A. (2017). Practical Programming for Strength Training. Wichita Falls, USA: The Aasgaard Company.
Sullivan, J. M., & Baker, A. (2016). The Barbell Prescription, Strength Training for Life After 40. Wichita Falls, USA: The Aasgaard Company.
Yogananda, P. (1969). Autobiography of a Yogi. London: Rider and Company.
 
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